Asa Delta - O paulista de 39 anos Marcelo Ferro é um dos destaques da asa delta brasileira e já conquistou o bicampeonato paulista. Para 2008, o atleta quer o terceiro título estadual, além de participar de uma expedição no nordeste em novembro com a finalidade de bater o recorde de distância, que hoje é de 461 km.
"Estou sempre de olho na condição meteorológica, quando o tempo está legal eu procuro voar, porém tenho que conciliar isso com a minha família. Tenho dois filhos que são super pilhados em competições só querem saber do 1º lugar, isso com certeza é mais um incentivo para mim", disse o piloto.
Marcelo espera renovar sua coleção de troféus e para isso tomou uma atitude inusitada. "No final de ano rolou aquela limpeza em casa de jogar coisas velhas fora, eu peguei meus troféus e dei todos para o cara da carrocinha, só guardei as águias de bicampeão paulista e de campeão brasileiro. Joguei tudo fora, porque aquilo era passado para mim, não quero me conformar com os vôos do passado só para mostrar para alguém que viesse aqui em casa", acrescentou o bicampeão.
Para Marcelo a melhor forma de iniciar o vôo é procurar uma escola especializada se dedicando bastante na instrução, pois assim o aluno assimila mais rápido as tarefas. "Eu comecei a voar aos meus 17 anos. Fui no embalo dos meus amigos. Daí pra frente eu não parei mais e fui me envolvendo no esporte, queria sempre voar mais tempo e mais longe. No passado a evolução era bem mais lenta, não tinha tanta troca de informações como tem hoje, mas eu logo me destaquei nas competições e os resultados me estimularam bastante", disse Ferro sobre o inicio da sua carreira.
Segundo o paulista o aspecto mais difícil no vôo competitivo é tomar decisões o tempo todo e conviver com pessoas que estão a seu lado a 300 metros de altura querendo tomar o seu lugar.
"Voar tem uma grande importância na minha vida, faz parte do meu dia a dia, mesmo quando eu não estou voando estou pensando em vôo. Tenho certeza que nós voadores somos muito privilegiados, nós enxergamos o mundo com outros olhos, isso é sensacional porque lá no alto nos tornamos seres alados", disse Marcelo, que tem como seu lugar preferido de vôo, Brasília.
Nathalie Monteiro