Mergulho - A mergulhadora Karol Meyer é um dos exemplos de atleta que se superam em busca de um objetivo. Natural de Recife, no Pernambuco, Karol vive em Florianópolis, Santa Catarina, onde desenvolve um trabalho na prática da
apnéia. A atleta é detentora de quatro recordes mundiais de Apnéia Estática e No Limits Tanden, além de vários outros títulos. Confira na entrevista a seguir, o que Karol fala sobre mergulho em geral.
O Radical: No Brasil se dá pouco espaço a determinados esportes. Como e onde você conheceu e quando começou a praticar o mergulho?
Karol Meyer: Tive meu primeiro contato com profissionais através de e-mail com franceses recordistas mundiais em várias categorias.
O Radical: O mergulho tem a devida atenção no Brasil?
Karol Meyer: No Brasil, infelizmente, sofremos muito com o descaso, a desvalorização do atleta em todos os esportes. Para se ter uma idéia, no inicio de 1998 eu consegui homologar duas marcas pela
Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS). Depois disto, sem futuro algum, sem competições no país, sem apoio, eu me filiei a
AIDA Internacional e realizei vários recordes.
O Radical: Você já competiu em várias partes do Brasil e do mundo. Qual o lugar que você mais gosta e se sente à vontade para praticar?
Karol Meyer: Procuro me adaptar ao local, mas sem dúvida Fernando de Noronha e Mar Vermelho são especiais para mim.
O Radical: Quais são os tipo de prova no mergulho?
Karol Meyer: A prova pode ser Indoor (provas em piscina): Apnéia Estática: No mar ou piscina, vale o maior tempo de permanência sem respirar , estático, podendo o atleta optar por praticar na superfície ou no fundo da piscina.
Apnéia Dinâmica: com ou sem nadadeiras, no mar ou em piscina, vale a distância horizontal percorrida pelo atleta.
Outdoor, provas em mar: Lastro Constante: é a disciplina de base. Nela o atleta deve atingir a maior profundidade com esforço/propulsão própria. O lastro deve ser mantido para descer e subir.
Lastro Constante sem nadadeiras: o atleta deve atingir a maior profundidade com esforço/propulsão própria, sem nadadeiras e sem ajuda do cabo guia. O lastro deve ser mantido para descer e subir.
Imersão Livre: o atleta desce e sobe através de um cabo guia, sem nadadeiras.
O Radical: E como funciona uma competição de mergulho?
Karol Meyer: O atleta tem somente uma chance, o momento oficial, que funciona com contagem regressiva de dois minutos. Ao final da performance, o atleta deve sair da água com esforço próprio, e tem 20 segundos para tirar a mascara e dar sinal de "ok" para os juizes que validarão a performance. Antes do momento oficial, o atleta possui 45 minutos de aquecimento à seu critério.
O Radical: E as competições que servem apenas para quebra de recordes?
Karol Meyer: No Lastro Variável é necessária a construção da gueuse (em francês)ou aparelho de descida, disponibilizar um barco, cabos e pessoal de apoio, mas é uma disciplina muito interessante. O aparelho de descida não é um "elevador maluco para descermos em abismos". Nesta modalidade também vale a profundidade alcançada, o atleta desce com a ajuda da "gueuse" e volta com esforço próprio, geralmente com os braços.
Na No Limits também vale a profundidade atingida, porém o atleta desce com o auxilio da "gueuse" e sobe com um balão, e por isto é a disciplina onde se atinge as maiores profundidades.
O Radical: Qual a importância do Brasil sediar eventos de mergulho?
Karol Meyer: Temos somente eventos abertos realizados pela
AIDA Brasil. Durante quatro anos conseguiram, com pouquíssimo apoio, quase que como milagre, realizar cinco competições nacionais de profundidade e estática, onde duas foram seletivas para mundiais, de onde seguiram dois times para o exterior, além de participações individuais de atletas no exterior.
Também foram realizadas duas participações de times no exterior, além de provas individuais. Aconteceram também dois Campeonatos Indoor, com convidados, uma prova inédita Internacional em 2004, na cidade de Tubarão, em Santa Catarina e várias homologações de recordes nacionais e sul-americanos.
O Radical: O que falta para o mergulho ser um esporte mais divulgado e conhecido?
Karol Meyer: Maior atenção pela entidade oficial no país (CBPDS.).
O Radical: Como é seu treinamento para as principais competições?
Karol Meyer: Normalmente mantenho um alto nível aeróbico, sigo uma programação de acordo com a disciplina da prova ou da tentativa de recorde. Exercícios anaeróbicos, yoga e a própria apnéia entram progressivamente até o dia "D".
O Radical: Aqui no Brasil você domina praticamente todas as provas. Quem você apontaria como grande adversária?
Karol Meyer: A canadense Mandy Cruisckan , as americanas Tanya Streeter, Anabel Briseno, a sueca Lotta Ericson e a francesa Sophie Passalaqua. Existem vários destaques em cada disciplina.
O Radical: Qual sua grande meta para esse ano? Quais os campeonatos a serem disputados?
Karol Meyer: Teremos um evento Indoor Nacional Open ainda no primeiro semestre, cujas performances valem para o Ranking Mundial AIDA Internacional.
O plano maior é ser a primeira mergulhadora brasileira a descer à 100m (marca Pan Americana). Esta será também a 3ª melhor marca no mundo na disciplina Lastro Variável, onde desço com uma maquina com peso , subindo com esforço próprio.
O Radical: O que você diria para quem gostaria de começar a mergulhar?
Karol Meyer: Jamais pratique mergulho em apnéia sozinho. Leia as regras de segurança!
Vinícius Cabral