Meio Ambiente - As tradições populares ensinam que andiroba, cupuaçu, ucuuba ou bacuri são produtos amazônicos com propriedades cosméticas e medicinais salutares. Algumas centenas de comunidades extrativistas da Amazônia, incentivadas por empresas, estão transformando este conhecimento em renda e preservação da floresta.
É o caso da empresa Naturais da Amazônia que ensina a aprimorar as técnicas de extração dos "ingredientes amazônicos" e transformá-los, dentro da própria comunidade, em óleos e manteigas naturais para serem, posteriormente, vendidas às indústrias cosméticas de todo o mundo.
Há nove anos, a Naturais da Amazônia, que prevê faturar R$ 2,4 milhões em 2009, se estabeleceu em Belém (PA) para produzir óleos, cremes, sabonetes 100% naturais, vendidos, sobretudo, ao mercado internacional.
Os insumos eram adquiridos de atravessadores o que fez Arnoldo Luchtenberg, diretor da empresa, vislumbrar a possibilidade de fomentar um projeto de sustentabilidade ambiental e social.
Foi assim que começaram as parcerias com as comunidades extrativistas tradicionais da Amazônia. Depois de quatro anos de pesquisa, a Naturais conseguiu desenvolver o processo tecnológico e equipamento adequados para as comunidades transformarem sementes em óleos e manteigas.
A partir de então, a empresa decidiu ensiná-las a beneficiar as sementes, gerando um produto de maior valor agregado. A figura do atravessador deixou de existir já que a empresa garante 100% da comercialização da produção. Em contrapartida, a comunidade se compromete a não desmatar.
Para Luchtenberg, o ganho foi de conseguir firmar parcerias em diversas regiões que poderiam fornecer com a quantidade e qualidade desejável.
Hoje, a cadeia produtiva que resulta na linha de produtos comercializada pela Naturais possui a certificação suíça orgânica e ecossocial IMO (Instituto de Mercado Ecológico).
"O nosso projeto permite que essas comunidades extrativistas consigam se sustentar, manter suas tradições, com prosperidade econômica e a responsabilidade de preservar a floresta", explica Luchtenberg. A meta dele é que em 2010 a empresa esteja faturando R$ 3,5 milhões e, em 2011, R$ R$ 5 milhões.
A Naturais trabalha com 139 comunidades extrativistas presentes na Bolívia e nos estados do Amapá, Amazônia, Acre e Pará. No Pará estão 60% dessas comunidades, o que levou a Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), em 2008, a se tornar uma das parceiras do projeto.
No Pará:
Os recursos do governo paraense permitiram às comunidades adquirirem as mini-usinas para extração de óleos e manteigas para quatro dos cinco pólos produtivos existentes no estado, beneficiando 327 famílias.
Cada mini-usina custa cerca de R$ 58 mil. A Secretaria também se encarrega de organizar o espaço físico para fazer beneficiamento das oleaginosas e de pagar a certificação para que os produtos possam seguir para mercados cobiçados como a Europa, Estados Unidos e Japão, destinos de 80% a 90% da produção.
"O objetivo é beneficiar e valorizar comunidades que têm ligação há gerações com o extrativismo sustentável, ajudando-as a eliminar o atravessador que lhes tira o valor do trabalho, viabilizando sua permanência na floresta", afirma Cássio Pereira, secretário de Agricultura do Pará.
Editoria: Vininha F.Carvalho - diretora da Del Valle Editoria
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