Meio Ambiente - A Universidade de São Paulo (USP), por meio do Cenbio (Centro Nacional de Referência em Biomassa) do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE), apresenta o ônibus movido a etanol (álcool hidratado combustível.
O veículo vai circular durante um ano em São Paulo, a partir de dezembro, como teste para demonstração de viabilidade, no corredor Jabaquara , São Matheus, com parada em nove terminais e atendimento a quatro municípios: São Paulo, Diadema, São Bernardo do Campo e Santo André.
A ação é uma iniciativa do Cenbio e mais oito parceiros: BAFF/SEKAB, Copersucar, EMTU/SP, SPTrans, Marcopolo, Petrobras - por meio do Conpet (Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural) e da Petrobras Distribuidora, Scania e Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), com incentivo da União Européia. O investimento no Projeto BEST é da ordem de R$ 1,6 milhão.
O veículo será incorporado à frota da operadora Metra (Sistema Metropolitano de Transporte), indicada pela EMTU/SP (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo), e por mais uma operadora escolhida pela SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o transporte de ônibus na capital paulista. No período de teste, o ônibus será comparado a um outro do mesmo modelo a diesel.
O ônibus a etanol é o principal foco do Projeto BEST (BioEthanol for Sustainable Transport ou Bioetanol para o Transporte Sustentável), programa internacional coordenado no Brasil pelo Cenbio.
A missão do projeto é sensibilizar o mundo sobre a importância do uso do etanol no transporte público, que reduz em até 90% a emissão de material particulado lançado na atmosfera.
O Brasil é primeiro país das Américas a ter ônibus movido a etanol em circulação pelo BEST. Outras oito cidades da Europa e Ásia participam do programa: Estocolmo (Suécia), Madri e País Basco (Espanha), Roterdam (Holanda), La Spezia (Itália), Somerset (Inglaterra), Nanyang (China) e Dublin (Irlanda).
O professor doutor da USP José Roberto Moreira, presidente do Conselho Gerenciador do Cenbio e principal articulador do BEST, afirma que o momento é muito favorável para o programa no Brasil. "É uma alternativa para diminuir a poluição das regiões metropolitanas, onde a tecnologia será demonstrada", comenta.
Os parceiros informam que a tecnologia está disponível e tecnicamente aperfeiçoada o que é amplamente demonstrado na Suécia, além de existirem antecedentes da iniciativa no Brasil.
"Houve uma experiência há oito anos em São Paulo, em que os resultados foram excelentes do ponto de vista ambiental, porém modestos do ponto de vista econômico, devido a diferença de preço entre o óleo diesel e o etanol, o que esperamos superar com a nova geração do motor e também do aditivo. Hoje, o óleo diesel custa quase o dobro do etanol e existe a tendência de contínua elevação do preço do petróleo", diz o professor Moreira.
O papel de cada parceiro
- BAFF/SEKAB - fornecer o aditivo para o etanol.
- Copersucar - importar da Suécia o primeiro lote de etanol aditivado.
- EMTU/SP e SPTrans - viabilizar os testes em uma de suas operadoras.
- Marcopolo - fornecer e montar a carroceria do ônibus para demonstração.
- Petrobras - importar o aditivo, misturá-lo ao etanol e distribuir nas operadoras.
- Scania - importar o chassi e o motor.
o Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) - fornecer o etanol para os testes.
Uso do etanol brasileiro favorece modelo econômico:
Mais do que estimular o uso do etanol no transporte público, a iniciativa lançada pelo Cenbio, empresas parceiras e União Européia avança na discussão sobre o modelo econômico de desenvolvimento que o Brasil busca atualmente.
Segundo maior produtor de etanol, atrás apenas dos EUA que extrai o produto do milho, o Brasil tem hoje uma safra de 17,8 bilhões toneladas de etanol e deve chegar a 2012 com 37,5 bilhões, segundo a Única.
De acordo com a Unica, para cada 300 milhões de toneladas de cana-de-açúcar produzidas no Brasil, criam-se aproximadamente 700 mil postos de trabalho. O estímulo à produção, aumento do consumo e à exportação de etanol podem ajudar na criação de mais empregos no campo e na redução da necessidade que o Brasil tem do petróleo.
Diante do quadro, somado às vantagens competitivas ambientais, como a redução das emissões dos gases poluentes, o uso do etanol em motores diesel oferece uma série de benefícios e pontos favoráveis ao modelo para o Brasil. São eles: diversificação da matriz energética no setor de transportes, uso de um combustível nacional, infra-estrutura de distribuição compatível com a existente no Brasil e interesse de vários setores do governo em apoiar o produto.
Editoria: Vininha F.Carvalho - diretora da Del Valle Editoria
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