Montanhismo - Escalar a montanha mais alta do mundo, o Monte Everest, com 8.850 metros, não é tarefa fácil. Agora, imagine se o desafio for pela face norte, do lado do Tibet - considerado a face mais difícil e mais exposta ao clima. Se quiser acrescentar mais uma dose de perigo, pense nesta escalada sem o uso de oxigênio suplementar. Os alpinistas brasileiros Rodrigo Raineri e Vitor Negrete sabem muito bem o que tudo isso significa.
Neste momento, eles estão a 6.400 metros de altitude, justamente na encosta norte da montanha, em processo de aclimatação no Acampamento Base Avançado. "Ficamos aqui descansando e esperando nosso corpo se acostumar à falta de oxigênio", relata Negrete. Enfrentando o frio, o alpinista conta que o tempo mudou nos últimos dias, "hoje já nevou de 20 a 40 centímetros", fala.
Segundo Negrete, a próxima etapa é subir até o Acampamento 1, que fica a 7.000 metros. "Estamos bem, tranqüilos, esperando o tempo melhorar pra continuar as próximas etapas da aclimatação", revela.
A semana, porém, começou com muito trabalho para a dupla. Rodrigo Raineri conta que já montaram e arrumaram as barracas, depósito e refeitório. "Conseguimos arrumar nosso depósito e está tudo pronto para os sherpas levarem o primeiro carregamento até o Acampamento 1".
Esta é a segunda vez que os aventureiros estão nos acampamentos do Monte Everest, com o objetivo de realizarem um feito inédito para o alpinismo brasileiro: chegar no topo do mundo sem usar os cilindros de oxigênio.
No ano passado, na Try On Expedition II, devido às péssimas condições climáticas, os alpinistas acabaram utilizando os cilindros. No dia 02 de junho, Negrete chegou ao cume da montanha. Rodrigo Raineri, por segurança, ficou a 50 metros do cume. |