Sandboard - A 8ª edição da Adventure Sports Fair, maior feira de esportes de aventura e turismo da América Latina abriu espaço para os esportes radicais praticados em pranchas. Para falar melhor do assunto forma convocados três especialistas: o tetracampeão brasileiro de wakeboard Mario Manzolli, o Marito; o tricampeão mundial de sandboard Digiácomo Dias e Flávio Ascânio, coordenardor na Universidade da Prancha e atleta de vários boardsports.
"A essência dos esportes de prancha é a diversão. É comum ver os atletas torcendo pelos outros nos campeonatos. Onde mais existe isso?", indaga Ascânio. "Não existe rivalidade, existe camaradagem", completa.
Mesmo não sendo esportes considerados de massa, o surf e skate caem no gosto da galera cada vez mais. Esportes como o wakeboard, considerados novos, podem bater de frente na barreira chamada marginalização. "Quando comecei a praticar o wake, 10 anos atrás, era comum a marginalização. Mas hoje em dia é comum ver as mães matriculando os filhos em escolas de wakeboard, que é um esporte para a família", disse Marito.
Wakeboard, sandboard, kitesurf, windsurf, bodyboard, snowboard e todas as variações estão buscando espaço no cenário brasileiro. Um fator que atrapalha o sandboard, por exemplo, é a falta de organização. "Pratico o sandboard desde 1997 e até hoje não existe um federação forte nem uma confederação nacional. A saída é competir no exterior", conta Digi.
Além da desorganização, existe o problema da falta de investimento. Outro fator que atrapalha são as condições do território brasileiro. Para praticar o sandboard não pode estar ventando e são poucas as dunas propícias no Brasil. Os atletas necessitam se deslocar para lugares como Florianópolis ou Ceará.
No caso do snowboard, não existe neve suficiente para a prática. A saída é treinar em países vizinhos ou montar uma pista artificial. No wakeboard, não é todo mundo que pode ter uma lancha para reboque. Ou seja, cada esporte tem sua peculiaridade e é preciso vencer as dificuldades para praticar.
"Acredito que o skate seja o mais fácil dos esportes de prancha a ser praticado. Não depende de condições naturais como vento e pistas de skate podem ser encontradas em várias cidades do Brasil. Além disso, o preço do equipamento é acessível", explica Ascânio.
Diante de todas essas adversidades, o atleta de hoje precisa ser um board rider, ou seja, praticar mais de um ou todos os esportes de prancha. "Se você quer pegar onda e não tem vento, vai andar de wake. Se não tem lancha, tenta o kitesurf, e assim sucessivamente", completa Marito.
Vinícius Cabral