X Games Brasil 2008 - O brasileiro Bob Burnquist levou o ouro do
Skate Vertical no X Games Brasil, a inédita etapa que aconteceu no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, de 25 a 27 de abril. Mas para ele, todo mundo ali merecia a dourada no peito. "Todo mundo andou muito bem. Era impossível prever quem ia ganhar", declarou o atleta.
Com a prata e o bronze ficaram Rodrigo Menezes, o Digo, e Lincoln Ueda, respectivamente. Mas, apesar de concorrentes no half pipe, os atletas se derretiam em elogios uns aos outros. "Nem tenho o que falar do skate deles. Não escondo de ninguém que a minha influência foi o Ueda e principalmente a humildade dele. Estar na pista com esses caras é uma honra pra mim", disse Bob, durante a coletiva de imprensa que sucedeu a vitória.
Na disputa, estiveram velhos conhecidos do público, que vibrava a cada manobra. Sandro Dias, o Mineirinho, Christiano Matheus, Edgard Pereira, Sergio Negão e os gringos Neal Hendrix e Anthony Furlong eram alguns dos nomes que dispensam apresentação. E sobre isso, Bob tinha o comentário na ponta da língua.
"Muita gente diz que não tem novidade no Vertical, que são os mesmos caras há dezenas de anos. Não vejo problema nisso, mas o Adam e o Marcelo estão aí pra provar que tem novidade sim, e de qualidade", disso o atleta. O Adam e o Marcelo a que se refere são os novos rostos do skate vertical.
Adam Taylor é um americano de 18 anos, que vem se destacando nos grandes circuitos. Nesse X Games, o destaque foi tamanho que o skatista garantiu sua vaga na final. Terminou em 5º lugar. Marcelo Bastos é brasileiro e uma das promessas do skate vertical no país. Não foi para a final, mas se classificou em 7º lugar, passando na frente de feras como Christiano Matheus e Furlong.
"São dois nomes que ainda vão dar muito o que falar no skate. Eles já mostraram que são muitos bons e vão mudar a história do Vertical", disse Bob, destacando a importância do incentivo para eles continuarem nesse caminho.
Caminho que quase sempre leva ao exterior. "A gente tem que sair mesmo. Lá fora é que estão os circuitos, os locais pra treinar. Mas a gente sempre volta, pra trazer os bons resultados. Hoje em dia o skate brasileiro é respeitado lá fora. Antes do Ueda, ninguém prestava atenção. Hoje em dia, é outra história", declarou o atleta, em tom sério, destacando a importância de se investir nas pistas do país.
Um dos grandes nomes do skate, o pentacampeão mundial do vertical, Sandro Dias, terminou em 4º lugar e não subiu ao pódio. Questionado se essa ausência não era estranha, Bob foi sucinto.
"A ausência do Mineirinho no pódio não quer dizer que não é mais o Mineirinho. Só significa que hoje não foi o dia dele. Hoje foi o meu dia, do Digo e do Ueda. Skate é isso. Depende do dia. E eu já perdi a conta de quantas vezes eu vi o Sandro no dia dele", finalizou Bob Burnquist, que nunca foi tão aclamado pelo público como nesse fim de semana no Anhembi.
Graziela do Rosário