Canoagem & Remo - O mar sempre esteve perto de mim, a repórter que aqui escreve. Nasci e moro em Santos, mas o contato que tive com ele nesse tempo se resume a alguns mergulhos durante o verão. Mesmo trabalhando com esportes aquáticos no O Radical, raramente tive vontade de passar para o outro lado e virar uma atleta por um dia.
Incentivada por um amigo que pratica canoa havaiana há um ano, resolvi experimentar. No sábado de manhã, logo cedo, uma turma de sete pessoas já esperava a chegada do instrutor "Claudião" na garagem náutica da Canoa Brasil.
Antes de entrar no mar, a escolha do equipamento é essencial. O remo não pode ultrapassar a altura do peito e o colete salva-vidas deve sempre estar bem ajustado ao corpo. A ansiedade de todos era visível e o que mais se escutava na conversa entre os sete participantes era a pergunta: "É a sua primeira vez?".
Com exceção de uma pessoa, todos eram novatos na canoa havaiana e, para entendermos bem a tradição do esporte, o instrutor nos deu uma introdução bem rápida sobre o esporte.
"Toda a ilha da Polinésia foi conquistada graças à canoa havaiana, que é um objeto sagrado lá. Sempre que uma canoa entra pela primeira vez no mar, ela é batizada com um nome em uma cerimônia e nós mantemos a tradição havaiana. A canoa que vocês vão usar é a Ohana, que significa família", disse o instrutor.
Depois de apresentados à modalidade chegou a hora mais difícil da aula, colocar a canoa na água. Cada canoa pesa cerca de 180 quilos e, para que ela chegue à água sem arrastar no chão, foi preciso muita força. "A canoagem havaiana é um esporte de muita união entre os praticantes. Se o grupo não estiver em sintonia, nada dá certo, nem a canoa consegue ser colocada na água", explicou Cauê, outro instrutor que nos acompanhou na aula.
Com a canoa já dentro d'água, começamos a remar. Cauê explicou que cada pessoa tem uma função específica na canoa. Uma delas é a de contar as remadas para a virada do remo. A cada 19 remadas, um atleta grita "Hip", os outros remadores imediatamente respondem "Ho", e mudam o remo de lado. "Esse movimento é essencial para o equilibro da canoa. Se todos remarem para o mesmo lado, vamos andar em círculos e facilmente iremos cair", orientou Cauê.
A sensação de remar é de liberdade e o contato com a natureza é o que nos dá o gás para sempre continuar a remar. Estar do outro lado e ver a praia de um ângulo diferente do que estamos acostumados é uma aventura única. Ao longo do percurso olho para trás e em meio aos gritos de Hip e Ho, vejo que todos estão contemplando a vista. A poucos metros, vemos aves e vegetações que não são possíveis de ter contato aqui em Santos.
A diversão também fez parte da aula. Por ter sido em um sábado, muitas lanchas e Jet Skis passeavam pelo canal do porto de Santos e as ondas que se formavam eram grandes. Passamos por elas com a sensação de estar em uma montanha russa e logo chegamos perto da Ilha de Santo Amaro.
Além da Praia do Goes, outras praias desertas ficam escondidas aos olhos dos santistas. Paramos na Praia de Sangava, que naquele dia não estava deserta. Um grupo de crianças brincava na água e os tripulantes de uma escuna preenchiam a pequena praia.
Ficamos pouco tempo no local, mas foi suficiente para me recuperar e dar alguns mergulhos. De volta à canoa, remamos mais forte para conseguir sair rapidamente da praia e não bater em nenhuma pedra. O ritmo da volta foi mais lento, o cansaço já tomava conta de todos, mas, mesmo assim, remamos até a base, que fica no Deck do Pescador. A turma da aula das 11h30 já estava nos esperando e a nosso passeio terminou ali.
A experiência foi única e me fez sair com o ânimo renovado. A canoa havaiana é uma ótima pedida para quem quer fazer uma atividade física sem perder o contato com a natureza e ainda de quebra fazer amizades. Sem dúvida nenhuma, eu recomendo.
Para quem quiser experimentar a aventura, deve agendar uma aula na Canoa Brasil, que fica na Rua Afonso Celso de Paula Lima, 16, na Ponta da Praia. O telefone é (13) 3261-2229 ou 3261-1428.
Amanda Serra